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Diário da asma: um ano depois

No dia 06 de outubro de 2014, eu passava por um susto tão grande que só de lembrar me dá arrepios. Hoje completo 1 ano de renascimento. Um ano que anjos cruzaram meu caminho e me salvaram.

E o que mudou nesse ano ? Muita coisa !!! A principal delas foi a dolorosa partida dos meus gatinhos. Confesso que sinto uma enorme falta deles aqui e sei que estão sendo bem cuidados. Madonna está sendo muitíssimo bem cuidada e paparicada na casa dos meus cunhados e posso vê-la sempre que quiser.

Faço acompanhamento médico com um especialista (Dr. Jardim, te dedico !), tomo os remédios diariamente e nunca esqueci uma dose. Como meu médico diz, agora eu tenho aderência ao tratamento. Ah e minha espirometria subiu de 21% para 60%. Lógico que esses 60% saltam para 72% depois do uso do broncodilatador, mas perto do que era meu antigo exame achei uma evolução.

Não liguei mais o inalador e a bombinha também não usei mais. Aliás, joguei 2 caixas fechadas de Duovent no lixo pois venceram nesse tempo. É, para vocês verem como usar a medicação corretamente realmente faz a diferença. A única coisa que ainda não comecei a fazer (e tô enrolando por motivos de: sou sedentária e não nego) foi exercícios. Dr. Jardim (o pneumologista) quer que eu faça exercícios e perca um pouco de peso. Juro que vou tentar. Estou tentando perder meu medo de água e fazer natação. Minha última consulta com o pneumo foi em julho e só retorno nele em fevereiro.

Levo uma vida normal, não me canso com tanta frequência, trabalho normalmente, tenho boas noites de sono e não dei mais nenhum susto no meu marido e na família.

Fica aqui meu agradecimento ao meu pneumologista por acreditar que eu posso melhorar. E um agradecimento mais que especial ao meu marido, por nunca desistir de mim e sempre ficar no meu pé para que eu use as medicações. TE AMOO !

Fico por aqui. Beijos e até a próxima.

E eles se vão…

Depois do meu relato do broncoespasmo, este talvez seja o post mais difícil que eu vou escrever aqui. É minha saúde que está em risco e meu pulmão não está e nem vai ficar 100% curado pois tem uma pequena parte obstruída.

Meus amados felinos vão para um novo lar. Precisei passar por todo esse problema para entender de uma vez por todas que, infelizmente, não posso ter NENHUM animal e nada que acumule pó em casa. Gato, cachorro, cortina, carpete, tapete… Não dá. Se eles ficarem, as chances de eu voltar para o hospital são enormes. Eu estava tendo crises muito próximas umas das outras e deu no que deu. Como contei no outro post, asma é genética e precisa de um agente desencadeador. No meu caso, é o gato. Sei dessa alergia a gato desde 2008 e fui levando até agora só indo pra hospital, sendo mal orientada, mal tratada e desmaiando.

Uma tia minha tem uma amiga com um sítio enorme, onde ela cuida de gatos e cachorros. São animais bem cuidados e tem o gatil e o canil. Hoje é o último dia deles aqui no apartamento. Amanhã de manhã, a dona do sítio, minha tia e talvez o Sérgio os levarão embora. Optei por não estar em casa quando eles saírem para não sofrer e chorar mais. Sei que serão felizes lá e tenho mais do que certeza que o Djokovic vai fazer amizade logo. Todo dia, eu choro e me despeço de um. Converso mesmo com eles, digo que vão para um lugar lindo e que vão se divertir muito e ser muito felizes lá.

Eu vou voltar da loja sábado e minha casa vai estar vazia. Não terei Djoko me esperando na porta, Peter dormindo na minha perna enquanto assisto TV ou a Luna de olho em nossa comida. Terei eles sempre em meu coração mas, como disse acima, não posso colocar minha saúde em risco novamente. Tomei consciência da minha condição e com muita dor no coração, precisei tomar essa decisão. Quando descobri a asma em 2008, só tinha crises no meu quarto pois os gatos dormiam comigo e depois restringi o acesso deles. Hoje, estou prisioneira em minha própria casa. Não consigo mais ficar na sala para assistir tv ou fazer algum artesanato. Sexta passada, tentei assistir o debate enquanto o Sérgio estava na faculdade e comecei a me sentir ofegante. Passo meu tempo em casa, nos quartos. Janto, preparo posts…

Gostaria muito de agradecer a Gabriela, da ONG Amigos de São Francisco. Foi muito atenciosa quando procurei a ONG numa feira de adoção, entendeu meu problema e se propôs a ajudar. Mas como esse lugar apareceu, não deixei com a ONG.

E por fim, queria agradecer meus peludinhos. Djokovic, Peter, Chico, Preta, Luna, Flora e pequena Marrom: vocês não fazem idéia do quanto foram especiais na minha vida. Vou lembrar com carinho de cada arranhão que levei, dos pêlos grudados na roupa, de vocês fazendo escândalo por causa de um sachet de whiskas, de vocês esparramados pelo chão pegando um solzinho, da companhia que vocês sempre me fizeram na hora do banho (meu banho), do sofá destruído mesmo tendo um arranhador ao lado e todas as vezes que vocês tentavam entrar ilegalmente no meu quarto (Djoko era campeão, furava o bloqueio e ia direto pra janela). Obrigada por todo esse tempo de convivência e que São Francisco esteja sempre com vocês.

Com lágrimas nos olhos, me despeço.

Pneumologista

Quanto carinho recebi ! Fiquei até emocionada, de verdade. Muitos devem pensar que estou fazendo tempestade num copo d’água. Mas não e logo abaixo explico o porquê. Obrigada a todo mundo que se preocupou, se emocionou e conseguiu ler minha novela do post passado.

Enquanto estava no hospital, minha irmã conseguiu o telefone de um pneumologista especializado em asma, DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) e afins. Ontem, passei a manhã ligando no consultório dele para agendar uma consulta. Logo após o almoço, liguei novamente e uma moça atendeu dizendo que havia vaga para ontem mesmo 15:30. Pedi que deixasse marcado, chamei marido e lá vamos nós até o consultório do Dr. Jardim.

E ali, senti o tranco e vamos mudar a vida né ? Ele começa com um papo descontraído e vai fazendo seu histórico até chegar na asma. Foi explicando para a gente (VIU POVO? É SEPARADO QUE ESCREVE !) que, enquanto o asmático não entender sua doença e não entender o quão grave é, ele nunca vai se tratar direito. E foi aí que me toquei que realmente eu estava subtratada e relaxada também. Pois eu tratava a asma como uma alergia qualquer. E o asmático vai remediando com a bombinha. Disse que a asma é uma doença genética e que veio de algum lado da minha família. E que é uma doença inflamatória e como tal, tem que ser tratada com anti-inflamatórios. No caso, a prednisona. Ele explicava sobre a gravidade da doença sem te deixar assustado e achando que vai morrer logo. Senti muita confiança nele, ele alterou a dosagem de um dos meus medicamentos e o restante que estava prescrito de quando saí do hospital, ele pediu que parasse assim que acabasse a caixa. Exceto 2 para refluxo, que devo continuar também por um bom tempo, se não pro resto da vida como é o caso do foraseq.

Fazendo um comparativo tosco: o alergologista é a funilaria, o pneumologista é o motor. Sem motor o carro não anda né ? E eu só estava tratando da funilaria. Tomava o remédio quando me sentia ruim e não todos os dias como manda o figurino.

Quando finalmente chegamos aos “roxos” que tenho espalhados pelo pescoço e braços (veia fina, ruim de puncionar é f*da), marido contou ao Dr. Jardim o que tinha acontecido comigo. E não foi uma crise de asma qualquer. Foi muito grave o que eu tive e que ainda bem que fui resgatada a tempo. No raio-x dava pra ver até o tubo na minha garganta e ele se chocou ao saber que precisei ser entubada. Então não, não é tempestade em copo d’água. E eu sempre me gabando de estar me cuidando e tal, quando na verdade, nem perto disso eu estava fazendo. Se você conhece alguém que tenha problemas respiratórios, não deixe que essa pessoa relaxe no tratamento. Esse tratamento feito corretamente pode salvar a vida.

Agora é vida que segue. Volto pro trabalho segunda feira. Alô Saraiva, tô voltando e quero bolo  \o/. E retomar a rotina, tentar hidroginástica. Quero somente melhorar e nunca mais ter de passar por isso.

Beijos