A rotina no dia 6/10 (segunda passada), foi normal. Fui trabalhar, peguei o resultado do meu exame de alergia e fui pra casa. Separei umas roupas para passar e o telefone me avisou da reunião da Natura. Me troquei, avisei meu marido, que acabara de chegar em casa, onde eu iria e voltaria logo. O que deveria durar apenas 1 hora no máximo, se tornou em um pesadelo para mim, meu marido, familiares e amigos.

Senta que lá vem coisa.

Quando saí da reunião, peguei o carro, dei a volta no quarteirão e quando fui entrar na conversão que levaria para minha casa, comecei a sentir falta de ar. Parei o carro, saquei a bombinha da bolsa, mas infelizmente ela não estava fazendo efeito em mim. Engatei a primeira e quando entrei nessa conversão, parei em frente uma farmácia e pedi ajuda a um senhor que atravessava a rua. Pedi que ligasse no SAMU pois eu estava com falta de ar. Depois disso, eu não lembro de mais nada. Simplesmente apaguei.

Me lembro de acordar em uma UTI de hospital. NO DIA SEGUINTE. A partir daí, comecei a perguntar a meu marido o que tinha acontecido, quem me levou lá, etc… Na porta da farmácia onde pedi ajuda, havia um casal. Esse casal – havia uma pessoa da farmácia que dirigia, pois o casal tinha uns 17 anos – me levou para o Hospital Saboya (aqui no Jabaquara). Ligou para o telefone de casa e perguntou o que o Sérgio era meu. O Jefferson (o ANJO que me salvou) disse que eu estava no hospital com parada respiratória. Em desespero, meu marido ligou para a irmã levá-lo até lá. Quando ele chegou no hospital, desesperado e chorando, encontrou com o casal que o levou até mim e a cena que ele viu não foi fácil. Eu estava entubada, respirando com aparelho, pálida, gelada e inchada. Segundo o médico, eu estava com os brônquios fechados, o aparelho estava no máximo e não estava fazendo efeito e eu havia vomitado muito. Uma pessoa do setor de remoção perguntou a meu marido se eu tinha convênio e que ele iria solicitar uma transferência. Fui pro Hospital São Luiz, do Jabaquara (o antigo Nossa Senhora de Lourdes). Retiraram o tubo da minha garganta (lá no SL) e foi quando eu acordei de verdade. Segundo meu marido conta, no Saboya eu recuperei a consciência e fazia gestos, olhava para ele, mas como estava sedada, não me lembro disso. Não lembro de ter entrado em uma ambulância e nem de como fui parar no hospital. Meu marido então, avisou minha irmã e no dia seguinte (quando eu já estava no São Luiz), meu cunhado foi avisar meus pais. Imaginem duas pessoas hipertensas (meu pai ainda é diabético) recebendo a notícia de que sua filha caçula está entubada em um hospital ? Enquanto meu marido me contava o que tinha acontecido, eu ficava pensando em todo o transtorno e preocupação que causei. Na terça de manhã, dia 07, minha sogra ficou lá no Saboya também.

No São Luiz, fui recebida pela equipe de UTI e lá fiquei até sábado à noite. O anjo Dr. Marcus Vinícius, é pneumologista. Em conversas, minha asma estava sub-tratada (será que escrevi certo ? Reforma ortográfica: TE ODEIO)  e eu precisava de acompanhamento especializado. Até então, eu só tratava com alergista pois via a asma como uma alergia tipo rinite. Tomou o remédio passou, sabe ? E não é meu caso. Havia feito uma espirometria (o exame de função pulmonar) uma semana antes e marido levou o resultado pra ele ver. Fiz o exame com 21% de capacidade pulmonar. Foi o pior resultado de espirometria que ele viu em 2 anos. Go me ! Uma outra hipótese para meu bronco espasmo (foi isso que tive e não uma parada respiratória) é algum problema estomacal. Às vezes tenho falta de ar depois de comer. Estava com uma endoscopia agendada para amanhã e que precisei remarcar dada as circunstâncias e por aconselhamento do médico. Como a garganta ainda está sensível e vou precisar de sedação, mês que vem faço.

Passei de terça à sábado à noite na UTI. Estava de alta sexta e iria para um quarto, mas o hospital estava cheio. Na UTI, tudo é limitado. Celular eu usava ilegalmente, quando marido ia nos horários de visita e eu dava notícias para amigos. Se precisava ir ao banheiro, tinha que chamar os auxiliares de enfermagem para que me ajudassem. Eu já estava me desplugando sozinha, mas eles me ajudavam a sair da cama e ver se tinha tontura. Fiz muitos exercícios respiratórios com os fisioterapeutas (eu só podia andar no andar com eles). E tipo, 6 da manhã já tem enfermagem no seu quarto com o seu desjejum de medicamento. Até assustava quando elas entravam com um saco CHEIO de remédios. Tomei muita coisa na veia, um dos antibióticos precisou ser trocado pra via oral, usava os remédios da asma. Não tinha do que reclamar ali. Todos foram sempre muito atenciosos (e carinhosos até) comigo, estava sendo bem cuidada. A comida vinha na hora certinha (18:30 eu estava jantando. OI ?? Nunca jantei essa hora.), meia noite tinha a última medicação do dia e medição dos sinais vitais. Me orgulhava de estar com saturação (oxigênio no sangue) acima de 95 mesmo depois de uma caminhada com os fisioterapeutas. Mas comecei a ficar ansiosa com a ida para um quarto e a pressão alterava.

Dia 8/10 foi meu aniversário de 9 anos de casamento e comemorar num box de UTI não é ideal. Ontem (13/10) foi meu aniversário e também não é legal comemorar 41 anos num quarto de hospital. Recebi várias ligações, tive a companhia de minha irmã, sobrinhos e tia e o melhor marido do mundo. Aliás, digo que não foi aniversário, foi renascimento. Meu marido postou em seu facebook algo que me fez pensar (não com essas palavras, mas vou tentar reproduzir): “no dia da eleição, fomos votar e almoçar na minha mãe e enquanto assistia Asas do Desejo na tv, me perguntei se anjos realmente existem. No dia seguinte, comprovei que sim.”  Se não fosse pelo Jefferson, pela equipe do Saboya, Dr Marcus Vinícius e a equipe da UTI do São Luiz, eu não estaria aqui pra contar tudo isso. Esses foram os anjos da minha vida.

Meu último post aqui, foi sobre o outubro rosa e falei que com saúde não se brinca. Fiquei brincando com a minha e deu no que deu. Hoje, já em casa, comecei a repensar coisas do meu cotidiano que eu vou ter de mudar e cair de cabeça nesse tratamento. Não quero dar outro susto desse a meu marido e família. O que passei, não desejo nem pro meu pior inimigo. Mas ainda bem que existem pessoas de bom coração e ainda quero encontrar Jefferson e agradecer por tudo que fez por mim e por meu marido até a chegada dele no hospital.

Queria agradecer não só meu marido e familiares mas também pessoas muito especiais pra mim. Eu ainda estava grogue e pedi a ele que mandasse uma mensagem pro grupo de oração que participo. São pessoas extremamente queridas e que tem uma força imensa. E enquanto usava o celular ilegalmente na UTI, pedi a outro grupo que também orassem por mim e acredito muito no poder de oração, boas vibrações. Fica aqui de coração, nosso (meu e do marido) muito obrigado a todos que tiraram 1 segundo do seu dia para pedir que eu saísse dessa. Amigues, AMO vocês ! Grupo de intercessão: AMO vocês ! Ao melhor amigo do meu marido, que esteve sempre presente e nunca abandonou meu marido: AMAMOS você ! Sério, você é outro anjo pra gente. 

E pro melhor marido do mundo, que não desgrudou de mim 1 segundo desde que esse pesadelo começou: não dá pra medir o amor e admiração que sinto por você. Só digo isso: ’til we’re old and grey. \o/

 

P.S.: Peço desculpas por qualquer erro de português (gramática ou grafia) neste post. Foi escrito em meio a lágrimas. E obrigada a quem leu até aqui.

13 comments on “O que aconteceu comigo ?”

  1. Caramba Denise! Se tem erro de português eu nem vi pq tava chorando aqui tb.
    Vc já tinha me dado um “resumo” do acontecimento e já me deixou tensa e agora eu quase morri aqui na cadeira.
    Mas graças a Deus foi só um grande susto, vc já está bem e agora com o tratamento adequado.
    Beijos!!! =)

  2. Denise, que susto que você passou! Graças a Deus você esta bem e vai se cuidar bem melhor agora. Isso me fez pensar, tbm tenho asma, mas são raras e fraca as crises, mas a muito tempo não acompanho, quase dois anos….vou usar sua lição e já marcar pneumo.

  3. Dê, sinto tanto em ler isso… Passou um filme na minha cabeça, pois já tive um filho na mesma situação que a sua… Ele teve parada respiratória estando em tratamento. Hoje ele usa um medicamento para casos de asma grave, e em 2 anos de uso, ele nunca mais chiou. Nada. Para ele, em que um resfriado virava crise, isso é um sonho. Agradeço todo dia ao médico q cuida tão bem dele (e da gente tb, né?) o medicamento chama Xolair. Os pacientes que tomam (o médico do Math aplica o medicamento em alguns pacientes no mesmo dia, por isso temos contato com outros usuários) todos têm tido sucesso! Quem sabe o Xolair não se aplica a vc tb? Se cuida, asma é coisa séria!!!! Se precisar de alguma coisa, pode me chamar!!! Bjs!!!!

  4. Pôxa De, q bom que foi só um susto. A gente acha q se cuida o bastante, mas nunca é demais e a saúde vem sim em primeiro lugar, não passei aperto assim mas tb já levei uns pequenos sustos q me levaram a perceber que a gente não tem nada se não tiver saúde.
    Por isso muita saúde pra vc e conte sempre com as nossas orações.
    Bjão

  5. Caramba Denise, que coisa. Sinto muito por tudo que vc passou. Se Deus quiser agora vc vai ter os cuidados necessarios para não se repetir o problema. Cuide-se direitinho querida. E confie sempre em Deuse nos anjos que apareceram em sua vida, bjs

  6. Uau, chorei com seu relato, ainda bem que o susto maior passou, agora você vai se cuidar e tratar essa asma!

  7. Linda! Muito feliz por ver que vc. agora está bem! Feliz tb por saber que vcs se amam e conseguiram sair de um momento tão difícil! Tb chorei muito ao ler sua declaração. Bjk

  8. Puxa vida De…que história! Vamos marcar de nos encontrar e comemorar que foi apenas um susto (grande, mas passou) e que está tudo bem….

    E uma coisa que reparei: eu e a Paula casamos UM DIA ANTES que você e o Sérgio! Nós casamos na sexta, 07/10, e vocês no sábado, 08/10, daquele longínquo 2005….

  9. Confesso que qdo vi o post do seu marido, meu coração deu um pulo. Nunca imaginei, apesar de saber da sua asma, que poderia passar por algo assim. Sei lá, a gente nunca espera, né?
    Mas nós oramos e vimos Deus responder. Graças a Deus por vc estar bem. Essas situações servem especialmente para nos fazer crescer, dar valor ao que realmente importa na vida, ver que nosso corpo precisa de atenção, mas principalmente para fazer com que nos sintamos queridas. E Dê, vc é muito querida, viu?
    Muito feliz, de verdade, pela sua recuperação. Agora cuide-se direitinho prá não nos dar mais sustos, hein? rs
    bjooooo

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